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Tomografia para Endodontia Guiada: protocolo, FOV, voxel e dose

A tomografia para planejamento de guia endodôntica exige arcada completa, o menor voxel disponível para o campo escolhido e posicionamento que reproduza a condição do dia da cirurgia. Fora desses três pontos, o caso costuma voltar para nova aquisição.

Documentação Escrito por Prof. Me. Luiz Felipe Moreira — CRO-MG 39318 Atualizado em 28/08/2026

Por que o protocolo é diferente do exame de rotina

Uma tomografia solicitada para diagnóstico responde a uma pergunta: existe lesão, existe fratura, qual a anatomia. Uma tomografia solicitada para planejamento de guia responde a outra: onde exatamente está o remanescente do canal, e sobre quais superfícies a guia vai se apoiar.

São exigências diferentes. A segunda é mais restritiva, e por isso o pedido precisa ser explícito.

Arcada completa, sempre

Nunca apenas a região do dente. A guia se apoia nos dentes vizinhos, e eles precisam estar inteiros na imagem para que o planejamento tenha superfície de referência.

Esse é o erro de aquisição mais comum e o mais frustrante, porque o exame parece adequado — está nítido, está bem posicionado — e só se revela insuficiente quando alguém tenta planejar sobre ele.

Os parâmetros que decidem

Voxel

É o tamanho do menor elemento de volume da imagem, e determina o nível de detalhe. Em canal calcificado, a luz residual pode ter frações de milímetro: voxel grande simplesmente a apaga.

Peça o menor voxel disponível para o campo escolhido — em aparelhos atuais, algo entre 0,076 e 0,125 mm em campos reduzidos.

Campo de visão (FOV)

Existe uma relação direta entre tamanho do campo e resolução possível: campos menores permitem voxels menores e irradiam menos volume. Mas campo pequeno demais deixa a guia sem os dentes de apoio.

O ponto de equilíbrio é um campo reduzido, centrado na região de interesse, mas amplo o suficiente para cobrir os dentes que sustentarão a guia.

kVp, mA e tempo

A quilovoltagem governa a penetração e o contraste do feixe. Elevá-la para "clarear" a imagem tem efeito colateral: achata a diferença de densidade entre canal e dentina, que é justamente o que se quer enxergar.

A miliamperagem e o tempo determinam a quantidade de fótons e, portanto, o ruído. Imagem ruidosa esconde canal fino tanto quanto voxel grande — e é comum subestimar isso.

Posicionamento

O princípio ALADA aplicado

As Low As Diagnostically Achievable — a dose deve ser a menor possível desde que a imagem responda à pergunta clínica.

Em Endodontia Guiada isso tem uma consequência prática que costuma escapar: reduzir a dose ao ponto de perder a luz residual do canal obriga a repetir o exame. E duas tomografias insuficientes irradiam mais que uma adequada.

O caminho para conciliar as duas coisas é o campo reduzido: menos volume irradiado, mais resolução onde interessa. É a aplicação direta do princípio, não uma exceção a ele.

O que entregar ao laboratório

O arquivo original do volume, não o laudo nem imagens exportadas em JPG. Volumes tomográficos frequentemente passam de 1 GB e não trafegam por formulário comum — a transferência costuma ser feita por serviço dedicado.

Modelo de solicitação

Tomografia computadorizada de feixe cônico da arcada completa, para planejamento de guia endodôntica.

Menor voxel disponível para o campo escolhido. Aquisição com spandex, afastamento de tecido mole e separação das arcadas. Entrega do volume original.

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Referências

  1. Zehnder MS, Connert T, Weiger R, Krastl G, Kühl S. Guided endodontics: accuracy of a novel method for guided access cavity preparation and root canal location. International Endodontic Journal, 2016. DOI: 10.1111/iej.12544
  2. Buchgreitz J, Buchgreitz M, Mortensen D, Bjørndal L. Guided access cavity preparation using cone-beam computed tomography and optical surface scans. International Endodontic Journal, 2016. DOI: 10.1111/iej.12516
  3. Connert T, Krug R, Eggmann F, e cols.. Guided Endodontics versus Conventional Access Cavity Preparation: A Comparative Study on Substance Loss Using 3-dimensional-printed Teeth. Journal of Endodontics, 2019. DOI: 10.1016/j.joen.2018.11.006
Prof. Me. Luiz Felipe Moreira
Prof. Me. Luiz Felipe Moreira Mestre e Especialista em Endodontia, Especialista em Implantodontia. Coordenador da Especialização em Endodontia na UniDoctum e na FACOP. Professor do Credenciamento em Endodontia Guiada. Realiza Endodontia Guiada desde 2018. CRO-MG 39318. Ver trajetória completa

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